Por que as pessoas são mais hipócritas nessa época do ano?
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Confuso.
Oh, dúvida cruel! por que invades e tomas teu tão facilmente meu ser? por que o preenches com tanta familiaridade, transformando toda a minha existência em um mar todo e único teu? por que te alias ao medo, aliado que tanto temo e de quem tanto fujo, para me atormentar? será que tenho sido tão infame a ponto de merecer-te, senhora? rogo-lhe para que me deixes em paz. digo, não, não me deixes... rogo-lhe para que tua passagem em mim seja efêmera mas, mesmo efêmera, duradoura.
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Amor.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
The things change (or not).
[ Texto retirado de Boca de Chafariz - Rui Mourão ]
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
Café com leite.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Amigo.
Tinha cabelos negros. Eram fios rebeldes que a meu ver lhe caíam muito bem, apesar dele mesmo não gostar. Tinha olhos âmbares e gentis. Estes permitiam que eu enxergasse suas emoções: o que estava se passando e se estava tudo bem. Ou talvez não; talvez eu só o conhecesse bem demais.
Talvez fosse por isso que eu me identificasse tanto com ele: passávamos pelas mesmas coisas, tínhamos gostos bastante parecidos e eu podia jurar que teríamos a mesma reação diante de mesmo problema. Até as matérias que tínhamos dificuldade eram as mesmas.
Ele era um cara tímido. Talvez esse fosse seu maior defeito, pelo qual ele sempre batalhou para mudar. Eu receio que ele não mude, ser tímido faz parte de sua personalidade, assim como – (in)felizmente – faz da minha. Também era muito brincalhão, eu quase o classificaria como um bobo alegre. Ria de qualquer coisa e, quando ria, fazia-me rir também. Era uma grande companhia, sempre fora e sempre será.
Mas devo confessar que sentia bastante ciúme e minhas amigas sempre achavam que eu estava apaixonada por ele. Bom, não é todo dia que você se esbarra com um amigo desses na rua. Acho inclusive que é bem difícil encontrar um amigo como ele nos dias atuais. Realmente, eu não o trocaria por nada.
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Aquarela no papel.
domingo, 31 de outubro de 2010
Sentado na base de um riacho, com a água gélida e cálida permeando entre seus dedos.
Ali, sentado na base de um riacho, com a água gélida e cálida permeando entre seus dedos, percebeu o quanto toda sua vida fora inútil: não plantara uma árvore, não compora uma música, não escrevera um livro – sequer tinha ideias para fazê-lo. Basicamente viveu como um parasita, alimentando a sociedade capitalista e se esquecendo de cultivar suas próprias ideias. Não tinha família: esta se afastara ao decorrer dos anos sem que ele nem se desse conta disso. Talvez fosse por isso que odiasse o Natal. Sentado na base de um riacho, com a água gélida e cálida permeando entre seus dedos, ele podia perceber isso. Enxergava sua vida com clareza e com mais clareza ainda se arrependia de toda ela. Uma vida jogada fora.
Olhou para o céu azul anil e se assustou: sentado na base de um riacho, com a água gélida e cálida permeando entre seus dedos, o céu parecia-lhe bem mais azul que da última vez que o vira. Quando fora a última vez que realmente o vira? Bem... não sabia.
Vamos, reerga-se! disse para si mesmo. Mas era esse o justo problema: não tinha nenhum âmbito em se reerguer. Baixou os olhos novamente para a água cristalina. Esta lhe parecia tão bondosa e paciente que, de certos modos, lembrava-se de sua mãe. Mãe esta que morrera abandonada num asilo por seu filho cruel.
Deitou-se na relva – sem tirar os pés da água gélida e cálida que os permeava – e deixou um pouco de ar escapar de seus pulmões e fluir pelo ambiente. Ouviu o gorjear de um pássaro. Tudo era tão calmo... tão tranquilo... Desejou, com todas as suas forças, que sua vida findasse ali. E no ato de desejar, suas pálpebras se fecharam e logo os olhos já não captavam mais imagens. Depois sua respiração cessou, seguida de seu coração.
Deitado na base de um riacho, com a água gélida e cálida permeando entre seus dedos, seu corpo jazia sem vida.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Sandra.
Queria estar perto de ti neste momento, para que pudesses ouvir de meus lábios o quanto és especial para mim. Queria ouvir uma de suas gargalhadas estrondosas e ser o motivo pela qual rires. Queria poder me sentir bem ao teu lado.
Queria poder avistar os lindos campos verdejantes, planos como si só. Queria também poder avistar a grande taba, sempre tão populosa. E, queria mais ainda, saber de todas as belesas de tua terra.
Queria poder proferir outras linguas ao teu lado, como também piadas que são só nossas. Queria observar todas as suas feições. Queria segurar tua mão quando ri e choras.
Queria; mas não posso. Então termino este grande querer com algumas palavras clichês, mas ainda sim verdade: mesmo que eu não possa te ver, estarei sempre ao teu lado. E lhe deixo agora, cheia de vontades.
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terça-feira, 26 de outubro de 2010
domingo, 24 de outubro de 2010
Solidão.
Querida e respeitosa Solidão, chegastes tão sutil e serena que quase não pude perceber tua presença. Qual não foi minha surpresa ao perceber que em teus vastos e brumosos braços eu me perdia!?
Mas não pudestes esconder tua natureza por muito tempo: Logo teu símbolo surgiu para mim, e mesmo hoje percebo que o eco de minha voz permeia o vazio e não chega a lugar algum; pois aqueles que distantemente eu sabia que eram capazes de me ouvir, já não o fazem mais.
Então, confortável e conscientemente estou aderindo à frieza que te é característica, querida Solidão, e sou a ti tão devota que te representarei, tenho certeza, com perfeição. Pois eu estou contigo e tu estás em mim, embora em mim caiba muito mais.
Em mim cabe todo o espírito sufocado, todo o vazio existencial, toda a falta de moralismo e de compaixão, todas as inverdades, todas as máscaras e todas as verdades deflagradas. Em mim cabe a complexidade do sentimento que se deve ao único, que é o todo, e que se perde. Ou se abandona. Ou se manda embora. Mas, em ti, Solidão, cabe apenas eu.
Dessa forma, amo a tua existência, visto que também sou egoísta. Porque em ti, Solidão, repito: cabe apenas eu.
[...]
E para aqueles que o meu olhar direciona, percebam o quão contraditória me torno: Preciso da crueldade de alguém para tomar-me a solidão, assim como... e eu me calo novamente pois não é esse o sentimento em questão.
Postagem retirada do Liqueur, mon-cheri [http://liqueurmoncheri.blogspot.com/2010/07/what-more-in-name-of-love.html] cuja a escritora é uma de minhas favoritas e acho que realmente vale apreciá-la.
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Três palavras.
Só três palavras... Só digas estas três palavras e eu serei tua. Tu sabes bem a quais palavras me refiro. Não sejas tão tímido; sabes que compartilho do mesmo sentimento. Está jogado em tua face para que admires... E mesmo assim não consegues entender. Se não dizes isto agora, talvez nunca possa dizê-lo. Será este o destino reservado para nós, meu amado? Separados por um mar de mesmices carnais e terrenas? Porém, meu amado, se proferes estas palavras tão sonhadas, prometo-lhe que meu coração sempre pertencerá a ti: somente a ti e a mais nenhum outro que ousar levar-me. Prometo-lhe que minhas preces serão sempre implorando por tua segurança. E, prometo-lhe ainda, que meus olhos só enxergarão teu rosto após fechados para toda a eternidade. E uma última promessa: prometo-lhe abrir mão de minha inútil vida por você se isto for seu desejo. Só basta proferir três palavras que, talvez, mudarão o destino que compartilhamos para sempre.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Amizade e espera.
Nota: Nada é literal.
Essa pequena história é sobre uma mulher: pequena, baixinha e gorduxa. Seu nome hipotético é... hmmm... Iara. Essa mulher de nome hipotético ia todas as manhãs – desde que se via como gente – esperar por alguma coisa na esquina de sua casa. Permanecia em pé e de quando em quando apertava os olhos, tentando ver melhor. Quando lhe perguntavam o que é que ela tanto aguardava durante todos os dias, respondia que era um amigo que havia perdido há muito tempo. Sempre lhe perguntavam que amigo era aquele e ela sempre respondia com um nome qualquer.
Era alvo de chacota pelos vizinhos, pelos professores e funcionários de sua escola, como também pelos colegas de classe. Digo colegas, porque Iara era uma pessoa sozinha. O único amigo que ela tinha era o alguém que ela sempre esperava.
Levaram-na em médicos, neurologistas, psicólogos e psiquiatras, nenhum deles conseguiu ver o que havia de errado com Iara. Até que desistiram, a deixaram de lado: seus pais negavam que era sua filha, quando lhes perguntavam.
E assim a vida seguiu durante anos: Iara esperava todos os dias de sua vida no mesmo lugar, na mesma hora, sem nunca desistir ou hesitar. Passaram-se vinte, trinta, quarenta anos... E Iara continuava a esperar... Sempre a esperar...
Até que um dia, assim que Iara colocou-se em seu lugar de sempre para esperar o que talvez nunca apareceria, um homem trajado com uma farda e de cabelos claros veio caminhando na direção de Iara. Ela não se assustou nem se exaltou: o homem de farda só continuaria seu caminho.
Mas não foi bem assim que aconteceu: o de cabelos claros a pegou em seus braços e lhe deu um longo abraço. Ela, que nem assim se assustara, correspondeu-o.
- Obrigado por ter me esperado por todo esse tempo, Iasmim. Achei que pudesse ter se esquecido.
- Ahh, eu nunca me esqueceria do meu melhor e único amigo.
O que eu quis dizer com isso: Nunca se esqueça de seus verdadeiros amigos, são eles que ficarão ao seu lado quando você mudar - até mesmo se mudar radicalmente.
[Post dedicado aos meus melhores amigos: aos que já possuo e aos que ainda possuirei]
domingo, 17 de outubro de 2010
Saudade e cozinha.
Acordou, olhou para o teto vazio e inexpressivo durante minutos infinitos antes de decidir o que ia fazer. Queria dormir um sono donde nunca mais poderia sair, queria ficar para sempre inerte, só sobrevivendo e nunca vivendo. Mas aquilo nem de longe lhe parecia certo. Sempre dissera a todos para nunca desistir, cair – e quem sabe morrer? – lutando. E por que raios ele não seguiria seu próprio conselho? Porque doía demais. Doía demais levantar-se de manhã e não encontrar os lençóis revirados ao seu lado; doía demais chegar a sua cozinha – imensamente limpa, devo ressaltar – e não encontra-la lá, sorrindo de modo afetivo e com cheiro de café; doía demais comer qualquer outra comida que não fosse preparada pelas suas mãos; doía ouvir qualquer som, ver qualquer cor, sentir qualquer sabor que lhe lembrasse dela.
Mas ele não podia desistir: não lhe era justo, nunca fora lhe dado esse direito.
Nunca havia entendido a dor do luto – não precisava sentir falta de alguém que finalmente havia encontrado a paz -, mas agora a entendia bem demais. E a única luz cálida e branca que deveria estar guiando-o para viver, sempre seguir em frente? Esta desaparecera. Talvez para sempre.
Ele se levantou e foi até a cozinha.
Postado por Dani às 05:01 0 comentários
Marcadores: cozinha, dor, felicidade, luto, vazio
sábado, 16 de outubro de 2010
Palavras e terapia.
Postado por Dani às 16:55 0 comentários