Nota: Nada é literal.
Essa pequena história é sobre uma mulher: pequena, baixinha e gorduxa. Seu nome hipotético é... hmmm... Iara. Essa mulher de nome hipotético ia todas as manhãs – desde que se via como gente – esperar por alguma coisa na esquina de sua casa. Permanecia em pé e de quando em quando apertava os olhos, tentando ver melhor. Quando lhe perguntavam o que é que ela tanto aguardava durante todos os dias, respondia que era um amigo que havia perdido há muito tempo. Sempre lhe perguntavam que amigo era aquele e ela sempre respondia com um nome qualquer.
Era alvo de chacota pelos vizinhos, pelos professores e funcionários de sua escola, como também pelos colegas de classe. Digo colegas, porque Iara era uma pessoa sozinha. O único amigo que ela tinha era o alguém que ela sempre esperava.
Levaram-na em médicos, neurologistas, psicólogos e psiquiatras, nenhum deles conseguiu ver o que havia de errado com Iara. Até que desistiram, a deixaram de lado: seus pais negavam que era sua filha, quando lhes perguntavam.
E assim a vida seguiu durante anos: Iara esperava todos os dias de sua vida no mesmo lugar, na mesma hora, sem nunca desistir ou hesitar. Passaram-se vinte, trinta, quarenta anos... E Iara continuava a esperar... Sempre a esperar...
Até que um dia, assim que Iara colocou-se em seu lugar de sempre para esperar o que talvez nunca apareceria, um homem trajado com uma farda e de cabelos claros veio caminhando na direção de Iara. Ela não se assustou nem se exaltou: o homem de farda só continuaria seu caminho.
Mas não foi bem assim que aconteceu: o de cabelos claros a pegou em seus braços e lhe deu um longo abraço. Ela, que nem assim se assustara, correspondeu-o.
- Obrigado por ter me esperado por todo esse tempo, Iasmim. Achei que pudesse ter se esquecido.
- Ahh, eu nunca me esqueceria do meu melhor e único amigo.
O que eu quis dizer com isso: Nunca se esqueça de seus verdadeiros amigos, são eles que ficarão ao seu lado quando você mudar - até mesmo se mudar radicalmente.
[Post dedicado aos meus melhores amigos: aos que já possuo e aos que ainda possuirei]
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