Tinha cabelos negros. Eram fios rebeldes que a meu ver lhe caíam muito bem, apesar dele mesmo não gostar. Tinha olhos âmbares e gentis. Estes permitiam que eu enxergasse suas emoções: o que estava se passando e se estava tudo bem. Ou talvez não; talvez eu só o conhecesse bem demais.
Talvez fosse por isso que eu me identificasse tanto com ele: passávamos pelas mesmas coisas, tínhamos gostos bastante parecidos e eu podia jurar que teríamos a mesma reação diante de mesmo problema. Até as matérias que tínhamos dificuldade eram as mesmas.
Ele era um cara tímido. Talvez esse fosse seu maior defeito, pelo qual ele sempre batalhou para mudar. Eu receio que ele não mude, ser tímido faz parte de sua personalidade, assim como – (in)felizmente – faz da minha. Também era muito brincalhão, eu quase o classificaria como um bobo alegre. Ria de qualquer coisa e, quando ria, fazia-me rir também. Era uma grande companhia, sempre fora e sempre será.
Mas devo confessar que sentia bastante ciúme e minhas amigas sempre achavam que eu estava apaixonada por ele. Bom, não é todo dia que você se esbarra com um amigo desses na rua. Acho inclusive que é bem difícil encontrar um amigo como ele nos dias atuais. Realmente, eu não o trocaria por nada.
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